Presidente da Rede Internacional de Migração e Desenvolvimento questiona mitos da globalização
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“A agenda de discussão sobre migração e trabalho está dominada por uma visão limitada e restrita que atende, sobretudo, aos interesses dos principais países receptores de migrantes no Hemisfério Norte. Esta perspectiva não considera os direitos humanos como tema central da agenda”, declarou Raúl Delgado Wise, Presidente da Rede Internacional de Migração e Desenvolvimento.
O painelista que também é Diretor do Dourotado de Economia na Universidade de Zacatecas no México, trouxe ao II Fórum Internacional de Migração e Paz, neste dia 2 de setembro, uma visão ampla sobre democracia, desenvolvimento e migração.
Questionando os mitos pregados pela globalização, Raúl Delgado enfatizou a necessidade de ampliar o campo da visão sobre a migração, trabalho e direitos humanos. Alertou que a leitura dominante do capitalismo omite os custos que a migração tem para os migrantes e suas famílias e, ignora as causas profundas da mobilidade humana forçada.
O presidente da Rede Internacional de Migração e Desenvolviento denunciou que a globalização espalha um mito de livre mercado, mas esconde a verdade de grandes empresas monopolistas, porque uma grande parte do comércio internacional ocorre entre empresas e nada tem a ver com livre comércio.
“Há uma diferença entre capital livre e livre fluxo. É uma estratégia de reestruturação do capitalismo mundial, comandado por grandes coorporações que se estende para os países menos desenvolvidos, em busca de mão-obra barada e recursos naturais”, alertou, acrescentando que um dos motores do capitalismo é a super oferta da força de trabalho, que se duplica no mundo.
Para transformar uma visão puramente econômica sobre a migração contemporânea e desenvolvimento, Raúl Delgado Wise, propôs abordar a temática sob a ótica daqueles que são forçados a migrar. “É preciso implantar um novo marco conceitual, analisando a migração nos aspectos político, social, ambiental, social, geográfico e populacional”, declarou.
Sustentando que a migração é uma peça chave no processo de reestruturação capitalista, Delgado contestou informações que desconsideram os custos sociais da migração, como as que afirmam que as remessas são um motor de desenvolvimento para as regiões emissoras dos migrantes, sem considerar as causas da migração.
Concluindo suas considerações chamou atenção para a necessidade de diferenciar migração livre e migração forçada, aprofundando as causas do deslocamento dos povos. “Para enfrentar a ganância cega, os conceitos de desenvolvimento devem considerar a dimensão ética, equitativa, justa e sustentável,” ponderou.
Já o Diretor do Centro de Investigação de Estudos Migratórios de Nova York, Joseph Chamie traçou uma linha histórica sobre desenvolvimento e demografia. Lembrou que em 1970, o número de migrantes estava em 75 milhões, passando para mais de 214 milhões em 2010. Uma das principais causas deste movimento migratório, destacou, é a alta demanda e a reduzida oferta de trabalho em determinados países.
Já segundo Stephen Castles, Diretor de Investigação em Sociologia da Universidade de Sidney, a crise mundial permanece afetando o mercado de trabalho, onde “os pobres pagam o preço da crise, criando uma nova classe, com privilégios para alguns e exploração para a maioria”, ressaltou.
Stephen Castles analisou como o fenômeno migratório tem se comportado em relação à crise, observando que a teoria liberalista pregava a liberdade total dos mercados prometendo justiça social, mas em 30 anos desse modelo, só aumentaram as desigualdades, assinalou.
“Uma parcela desse modelo libera o trânsito de capital, mão-de-obra e tecnologia, mas fecha as fronteiras para as pessoas, construindo muros para frear a migração”, frisou Castles, que também analisou como a terceirização do trabalho tem afetado os migrantes. “Os serviços são terceirizados para regiões onde a mão-de-obra é mais barata, há uma subcontratação, onde o trabalhador não é mais empregado, é independente, sem proteção”, alertou.
Essa informalidade, segundo Stephen Castles afeta de forma especial os jovens e os migrantes, trabalhadores mais vulneráveis à exploração.
Ainda durante o painel sobre “Democacia, Desenvolvimento e Migração: o Papel da Economia na Construção de Democracias Inclusivas e o Desenvolvimento Sustentável,” Alvaro Calderón, Diretor do programa Colômbia nos Une do Ministério das Relações Exteriores, informou que seu país iniciou há um ano um programa de reformulação da política migratória.
De acordo com Calderón, a Colômbia é atualmente o terceiro país em recepção de remessas na América Latina e o quinto no mundo, com a maioria das remessas vindas dos imigrantes colombianos na Espanha, na ordem de 41 por cento e outros 33 por cento oriundos dos Estados Unidos.
Roseli Lara- MTB0088-MS
Scalabrini Internacional Migracion Netwok
Sobre o SIMN (Organizador do Fórum)
O SCALABRINI INTERNATIONAL MIGRATION NETWORK (SIMN) reúne 270 Organizações establecidas em mais de 30 países nos cinco continentes, onde trabalham 700 sacerdotes e religiosos scalabrinianos junto com centenas de voluntários. Sua missão é salvaguardar a dignidade e os direitos dos migrantes, refugiados, marinheiros e itinerantes e toda pessoa em mobilidade. O Fórum Internacional sobre Migração e Paz é um instrumento do SIMN no processo de construção de uma convivência pacífica entre as comunidades de migrantes e das comunidades de acolhida. Sua presença em diferentes partes do mundo permite que o SIMN se organize em conjunto com membros do SIMN do país e as instituições locais de apoio.
Esta nota à imprensa foi elaborada pelo Centro Scalabriniano de Comunicação.
Para mais informações sobre o SIMN, visitar www.simn-cs.net Para mais informações sobre o Centro Scalabriniano de Comunicação e a Rede Scalabriniana de Comunicação, visitar: www.redescalabrinianadecomunicação.org
Para mais informações sobre o Fórum acessar www.forummigracionypaz.org
O painelista que também é Diretor do Dourotado de Economia na Universidade de Zacatecas no México, trouxe ao II Fórum Internacional de Migração e Paz, neste dia 2 de setembro, uma visão ampla sobre democracia, desenvolvimento e migração.
Questionando os mitos pregados pela globalização, Raúl Delgado enfatizou a necessidade de ampliar o campo da visão sobre a migração, trabalho e direitos humanos. Alertou que a leitura dominante do capitalismo omite os custos que a migração tem para os migrantes e suas famílias e, ignora as causas profundas da mobilidade humana forçada.
O presidente da Rede Internacional de Migração e Desenvolviento denunciou que a globalização espalha um mito de livre mercado, mas esconde a verdade de grandes empresas monopolistas, porque uma grande parte do comércio internacional ocorre entre empresas e nada tem a ver com livre comércio.
“Há uma diferença entre capital livre e livre fluxo. É uma estratégia de reestruturação do capitalismo mundial, comandado por grandes coorporações que se estende para os países menos desenvolvidos, em busca de mão-obra barada e recursos naturais”, alertou, acrescentando que um dos motores do capitalismo é a super oferta da força de trabalho, que se duplica no mundo.
Para transformar uma visão puramente econômica sobre a migração contemporânea e desenvolvimento, Raúl Delgado Wise, propôs abordar a temática sob a ótica daqueles que são forçados a migrar. “É preciso implantar um novo marco conceitual, analisando a migração nos aspectos político, social, ambiental, social, geográfico e populacional”, declarou.
Sustentando que a migração é uma peça chave no processo de reestruturação capitalista, Delgado contestou informações que desconsideram os custos sociais da migração, como as que afirmam que as remessas são um motor de desenvolvimento para as regiões emissoras dos migrantes, sem considerar as causas da migração.
Concluindo suas considerações chamou atenção para a necessidade de diferenciar migração livre e migração forçada, aprofundando as causas do deslocamento dos povos. “Para enfrentar a ganância cega, os conceitos de desenvolvimento devem considerar a dimensão ética, equitativa, justa e sustentável,” ponderou.
Já o Diretor do Centro de Investigação de Estudos Migratórios de Nova York, Joseph Chamie traçou uma linha histórica sobre desenvolvimento e demografia. Lembrou que em 1970, o número de migrantes estava em 75 milhões, passando para mais de 214 milhões em 2010. Uma das principais causas deste movimento migratório, destacou, é a alta demanda e a reduzida oferta de trabalho em determinados países.
Já segundo Stephen Castles, Diretor de Investigação em Sociologia da Universidade de Sidney, a crise mundial permanece afetando o mercado de trabalho, onde “os pobres pagam o preço da crise, criando uma nova classe, com privilégios para alguns e exploração para a maioria”, ressaltou.
Stephen Castles analisou como o fenômeno migratório tem se comportado em relação à crise, observando que a teoria liberalista pregava a liberdade total dos mercados prometendo justiça social, mas em 30 anos desse modelo, só aumentaram as desigualdades, assinalou.
“Uma parcela desse modelo libera o trânsito de capital, mão-de-obra e tecnologia, mas fecha as fronteiras para as pessoas, construindo muros para frear a migração”, frisou Castles, que também analisou como a terceirização do trabalho tem afetado os migrantes. “Os serviços são terceirizados para regiões onde a mão-de-obra é mais barata, há uma subcontratação, onde o trabalhador não é mais empregado, é independente, sem proteção”, alertou.
Essa informalidade, segundo Stephen Castles afeta de forma especial os jovens e os migrantes, trabalhadores mais vulneráveis à exploração.
Ainda durante o painel sobre “Democacia, Desenvolvimento e Migração: o Papel da Economia na Construção de Democracias Inclusivas e o Desenvolvimento Sustentável,” Alvaro Calderón, Diretor do programa Colômbia nos Une do Ministério das Relações Exteriores, informou que seu país iniciou há um ano um programa de reformulação da política migratória.
De acordo com Calderón, a Colômbia é atualmente o terceiro país em recepção de remessas na América Latina e o quinto no mundo, com a maioria das remessas vindas dos imigrantes colombianos na Espanha, na ordem de 41 por cento e outros 33 por cento oriundos dos Estados Unidos.
Roseli Lara- MTB0088-MS
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Sobre o SIMN (Organizador do Fórum)
O SCALABRINI INTERNATIONAL MIGRATION NETWORK (SIMN) reúne 270 Organizações establecidas em mais de 30 países nos cinco continentes, onde trabalham 700 sacerdotes e religiosos scalabrinianos junto com centenas de voluntários. Sua missão é salvaguardar a dignidade e os direitos dos migrantes, refugiados, marinheiros e itinerantes e toda pessoa em mobilidade. O Fórum Internacional sobre Migração e Paz é um instrumento do SIMN no processo de construção de uma convivência pacífica entre as comunidades de migrantes e das comunidades de acolhida. Sua presença em diferentes partes do mundo permite que o SIMN se organize em conjunto com membros do SIMN do país e as instituições locais de apoio.
Esta nota à imprensa foi elaborada pelo Centro Scalabriniano de Comunicação.
Para mais informações sobre o SIMN, visitar www.simn-cs.net Para mais informações sobre o Centro Scalabriniano de Comunicação e a Rede Scalabriniana de Comunicação, visitar: www.redescalabrinianadecomunicação.org
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